segunda-feira, 28 de março de 2016

Aquele.

Eu posso cair fora, me mandar pra qualquer lugar, mas ainda não quero.
Se você come e dorme na casa de alguém de graça, sendo amigo ou não é apropriado e certo você ser útil em alguma coisa, então ajudo Kim a preparar o café da manhã. Ela faz bolo e panquecas, ovos e bacon todas as manhãs, a ajuda foi bem-vinda, imagina só. Contei a ela que o nome da minha mãe também é Sara, ela fez perguntas e nos conhecemos um pouco melhor.
Sara nasceu na Califórnia, era uma adolescente espertinha, "igual a você" ela disse rindo para mim. Conheceu Edgard quando tinha dezessete anos quando ele passou uma temporada por lá, era motoqueiro. Ele a carregou para todo lado, os dois viajaram muito até que por motivos maiores Edgard decidiu voltar para esta cidade e quando o pai dele morreu assumiu os negócios da família junto com o irmão mais velho, o Earl. Ethan tinha quatro anos, ela disse.
— Edgard conhecia seu pai muito antes de me conhecer. Já viajamos juntos, lembro de uma namorada dele, mas não lembro o nome. — Sara fritava ovos e bacon, o cabelo ruivo preso, roupa justa e avental. Eu misturava os ingredientes para panqueca na tigela sobre a pia. — Depois que viemos pra cá Chucky sempre aparecia, passou um tempo aqui.
Ela parou de falar.
— Tenho a impressão que vocês não o viram desde que ele foi embora.
— É, poucas vezes.
— Não sabe onde ele está, ou poderia ir?
Sara olhou para mim. — Não sei. Ele deixou vocês, aquele safado?
Fiz gesto positivo com a cabeça. — Eu tinha cinco anos quando ele chegou em casa agitado, murmurou coisas com minha mãe na cozinha e foi embora de mochila nas costas.
— Sinto muito.
— Não. Não foi tão trágico assim. — Nunca lamentei muito sobre nada, e é algo que nunca falo abertamente. — Minha mãe se virou muito bem, e é claro que eu senti a falta dele, éramos muito próximos, mas ela nunca mais falou do meu pai, e nem eu perguntei mais de uma vez.
— A última vez que o vi foi há sete anos. Você já tinha que idade? — Ela colocou os ovos sobre a mesa.
— Dez.
— Seu pai não conseguia ficar em algum lugar por muito tempo, ele era assim.
Foi embora, deixou a família porque não aguentou a responsabilidade, esse tipo de coisa não era para ele. Como não é para mim.
— Entendo.
— Dá pra ver. — Ela sorriu. — Terminou?
— Aham. Se importa se eu fumar?
Sara pegou a tigela e voltou para o fogão. — Só não muito perto da comida.
— Você pilotava?
— Não, eu era só uma Old Lady.
Eu franzi as sobrancelhas e olhei pela janela.
Nessa manhã todo mundo acabou tomando café na casa da velhinha, a mãe de Edgard. Ele saiu bebericando café e fumando, parou na porta e acabou na janela da cozinha da mãe. Earl ouviu a voz dele e saiu, Sara acendeu um cigarro e atravessou o quintal para se juntar a eles. Ethan e eu continuamos comendo nossos ovos até quase acabar, e fomos para a casa da avó dele também.
Estavam na sala da frente, eu fui apresentada aos outros, mas não falei muito. Jholene, a mulher de Earl, mãe de Lue, tem o cabelo e olhos escuros, é bonita. A irmã de Edgard, a que matou o cachorro com uma panelada, Dora, é alta e loira como ele, um pouco acima do peso. O nome da velha senhora é Gina, tem a boca torta e não fala muito bem, sofreu derrame, cabelo curto muito branco, alta, cheia de sardas e olhos muito azuis.
Entendi que eles costumam se juntar assim, como no jantar da noite passada, os caras se espalharam pela sala de Earl depois do expediente para assistir o jogo de futebol.
Cezar, o marido de Dora, eles não tem filhos, foi o primeiro a sair, trabalha na cidade. Lue pegou carona com ele para a escola, em seguida Earl, Edgard e Ethan foram para a oficina.
Eu fiquei com as amigas.
Não é o tipo de coisa que costumo fazer, mas não me importei e gostei de bater papo com elas. Depois cada uma foi fazer suas tarefas, e eu novamente me ofereci. Reguei as plantas com Gina e dobrei um cesto de roupas. Quando acabei praticamente corri para a Chopper parada perto do celeiro de Edgard, ligar o motor e arrancar dali foi um alívio, o demônio se acomodando em mim. É foi assim que me senti, voltando ao meu lugar. Fui para a Oficina.
Aprendi mais mecânica com Jean, passamos a maior parte da manhã juntos. Ele estava começando a desmontar uma caminhonete para reforma, eu o ajudei. Depois do almoço fui dar uma volta pela cidade, de boa dessa vez. Observei as coisas com atenção, as casas são muito parecidas, quase padronizadas, os blocos de quarteirões bem divididos, ruas limpas, gramados bem cuidados, árvores, escolas, lojas, igreja, bares, delegacia, duas fábricas afastadas, depois dos prédios mais altos, separadas por grades de um grande depósito cinzento, lanchonetes, uma espécie de "shopping", mercados, todas essas coisas comuns. Mas do jeito que é em cidades pequenas, tudo diferente, bem próximo, muito limpo e organizado.
E eu fazendo arruaça ontem.
Como não fui presa por desordem?
As crianças me olhavam fascinadas, todo mundo parava por um instante para me ver passar e ao ouvir o som do motor, isso era o mais foda. A última parte da cidade que explorei foi a mais interessante: a parte proibida. Começou com um grande estacionamento, segui pela rua na lateral sem me importar com possíveis traficantes de drogas, os prédios ali eram mais antigos e sujos, pinchados. Começaram a aparecer bares semiocultos entre eles, boates, puteiros, motéis: o lado da perdição.
Eu dei risada olhando em volta. — Olha só...
Ali era o limite da cidade, o quintal dos fundos, vi a estrada a frente. Decidi beber uma cerveja, entrei em um dos bares e sentei. Tinha uns caras e duas garotas, eles me observaram, o local estava meio escuro e abafado, o ventilador girando devagar no teto. Achei bom, gostei. Pedi uma garrafa, acendi um cigarro. Bebi tranquilamente, paguei e saí.
Ao atravessar o portão do ferro velho com minha Chopper uma moça de vestido azul e tiara na cabeça passou por mim me encarando de um jeito retorcido e medonho. Parei a moto ao lado da garagem.
— E aí, garota! — Earl passou pela janela do escritório. Eu acenei para ele e fui até Ethan que subia no trator.
— Tá indo pra onde?
— Amassar uns carros e planar terra, quer vir? — Ele sorriu.
— Claro! — Subi na coisa e sentei ao lado dele.
— Vamos lá. — Ethan ligou o motor e a coisa começou a se mover pesadamente.
— Você faz isso sempre?
— A gente reversa, mas geralmente sou eu.
Passamos pelo corredor de carros velhos e chegamos até o monte de sucata. Ethan içou e deu porradas nos carros até eles ficarem compactos, dois carros eram novos demais para serem destruídos mas ele apenas sorriu quando eu indaguei. Achei divertido, e no final do expediente bebemos e conversamos até escurecer.
Todo mundo estava em casa dormindo, as luzes apagadas e silêncio. Eu sai para andar um pouco, dar uma volta pela propriedade, acendi um cigarro, dentei na grama e fiquei olhando para o céu estrelado. Não pensava em nada, plenamente em paz. Os grilos grilavam, o ar estava meio frio. Fiquei lá um tempo, talvez tenha até adormecido, não tenho certeza.
Quando levantei fui em direção à casa de Earl, espreitei pela janela, a sala estava iluminada apenas pela televisão. Era Lue. Eu pulei a janela, ele levantou agilmente me agarrando pelos braços com força.
— Porra, garota!
— Te assustei? — Sorri debochada.
Lue me encarou, os dedos cravados em meus braços, se afastou rindo. Tirei uma mecha de cabelo do olho e ele sentou no sofá com as pernas arreganhadas voltando atenção à televisão, assistia a um filme policial qualquer.
Fui para trás do sofá e peguei nas bolas dele por cima da bermuda, Lue ficou bem quieto, tateei sentindo o formato das coisas dele, as minhas começaram a latejar, o pau dele ficou duro, eu o apertei e comecei a masturbá-lo, aproximando meu rosto do pescoço dele aos poucos, meu hálito quente, respiração intensa, acariciando seu ombro e peito com a mão esquerda.
Não o fiz gozar, parei e me afastei. Dei a volta no sofá e parei a frente de Lue. Ele estava com o rosto acalorado, o pau ereto para fora. Veneno fluiu dos meus olhos e minha língua passeou pela minha boca. O olhar dele estava daquele jeito forte e febril. Ele pegou no botão do meu jeans, abriu o zíper e arreou de uma vez. Eu não estava de calcinha.
Lue levantou e me agarrou, me engolindo com os braços cruzados em minhas costas. A boca tão macia e quente quanto presumi, beijos lascivos, fogo nos pulmões, trepei no colo dele enlaçando sua cintura com as pernas, me esfregando nele. Lue tirou minha camiseta e meteu o pau em mim, me colocou no sofá e fodemos pra caramba.

Um comentário:

  1. Uaaauuu...que surpresa....Eu tinha lido já esse último trecho...Mas eu não esperava que isso fosse agora.


    Ai LuAnn...rsrs

    ResponderExcluir